Meu Metro Quadrado

Leblonzinho de Floripa

30 de março de 2021


Depois de morar no Rio de Janeiro por algum tempo, pude observar o que uma urbanização mais densificada tem de bom e de ruim. Aqui em Floripa temos poucos bairros que têm um pouco de vida densificada, e hoje vou me concentrar no miolinho Centro Hippo (sim, o supermercado do Hipopótamo).

Primeiro queria explicar umas poucas regras sobre construir em Floripa:

 – 12 andares máximo

– Vaga de garagem – todos os apartamentos tem que ter vaga de garagem. E isso ocupa um espação nos prédios. Pensem: um quarto pode ter 8m2 de piso, mas uma vaga de carro consome 12m2 (dorme melhor que os proprietários)

– Recuos. Sabe o paredão da Hercílio Luz? Não pode mais, é o respiro entre os prédios.

Qual o resultado disso? Uma cidade mais espaçada, menos densificada, tem menos pessoas por m2. Não vou entrar no debate de locomoção, mas vou tocar no assunto comércio. Para um negócio se viabilizar, ele precisa de fluxo, fluxo de pessoas circulando, entra e sai, gente passando no caminho de ida para casa, no “vou resolver aqui que é mais perto”, na comodidade. E como é que a gente junta fluxo? Densificando.

Em termos práticos, o que aconteceu ali perto do Hippo, foi uma densificação, com uma área predominantemente de prédios, mesclada com comércio de rua e shoppings bacanas. Coisas bacanas atraem gente bacana. Simples. O primeiro shopping da cidade foi ali, e isso carrega um legado, mas APOSTO que quando ele foi se instalar, ninguém queria. A gente ainda tem um ranço meio provinciano que é “ruim” ou de baixo padrão, morar perto do comércio.

Se o comércio for ruim, é. Mas coloquem-se na cabeça do comerciante: vou instalar nesse metro quadrado caro, uma loja que não atenda os interesses do bairro? Não. O debate vira meio o ovo ou a galinha – o que vem primeiro. Acho que um pouco dos dois.

Eu morei no Leblon no período que estive no Rio, e posso dizer por N características que o Leblonzinho de Floripa fica ali. Vai mudar? Não, porque a Beira-mar e o Shopping criam uma fronteira invisível das coisas bacanas.

E assim como a Zona Sul do Rio, os terrenos estão acabando. Já notaram? Tem pouquíssimos e menos ainda que consigamos cumprir três dos requisitos que comentei ali em cima. Dito isso longamente, meu conselho para minha lista: qualquer coisa ali vale a pena. Qualquer coisa, desde que com preço certo. Com sol, sem sol, com vaga, sem vaga. Com vista, sem vista. Pensem no longo prazo, longo 15/20 anos. Teremos mais ou menos terrenos construíveis na Ilha?

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