Meu Metro Quadrado

Relatos dos 15 dias em CASA – As novas dinâmicas do morar

3 de abril de 2020


As mudanças tem um aspecto curioso, nunca parecem vir com calma, elas sempre acontecem de uma forma abrupta. Mas somente parecem.

Nesses quinze dias em que seis meses se passaram, um misto de “inimigo invisível” com informação sem limites, colocou uma país e boa parte do mundo, dentro de casa reavaliando seus hábitos. O home office passou a ser pauta de dicas e a realidade que alguns já vivem começou a se aproximar de um número muito maior de pessoas.

Mantendo o link com o morar e zelando pela positividade que o momento exige, não vou me arriscar falar lado B do home office, nem do que essa reclusão geral pode causar nos mercados. Vou me ater, a um relato em primeira pessoa, ao que considero positivo desse cativeiro forçado

 

Boa leitura!

 

  1. O home office & Disciplina

Pouca gente sabe, mas nossa empresa nas duas cidades (Floripa e Rio de Janeiro) não tem sede. Só site, é o que normalmente respondia. Primeiro por que a empresa começou a partir de mim, trabalhando sozinha, o que exigia de mim a mínima estrutura. Depois de trabalhar em outras imobiliárias eu vi que nosso segmento nos exige estar (a) em contato com o cliente; (b) presencialmente onde ele quiser. Então pouco se justificava a estrutura em si. Porém o home office exige uma disciplina que só entendemos colocando em prática. Ninguém nos olha, ninguém que saber se sentamos para trabalhar. A conta é só nossa, no fim do dia o quanto produzimos ou não. Faz oito anos que trabalho assim, então acabei criando um método e uma rotina que sigo todo dia. TODO dia, inclusive nos finais de semana o que é bom (por que diminui a ansiedade) mas é ruim, por que é difícil desligar. A disciplina é como qualquer coisa amarga, no começo é ruim, mas depois a gente passa a gostar. Então pensem no que esse período de quarentena pode te ajudar no estabelecimento da disciplina pessoal & profissional.

  1. O tempo livre

Trabalhar em casa, amargando a disciplina, faz com que o tempo que nos dispomos a trabalhar seja mais focado, e sendo mais focado produzimos mais em menos tempo. Meu relato pessoal, essa flexibilidade de horário me permite a fazer supermercado num horário que ninguém faz, aproveitar horários de serviços com desconto (tipo salão as quartas) e perder menos tempo na manutenção da casa. Não tenho ajuda todos os dias, mas arrumo a casa todos os dias. Trinta minutos e tudo volta ao lugar, é mais fácil arrumar a pequena zona todos os dias, do que a grande quando ela se acumula. O tempo que não perdemos em deslocamentos, seja pelo trânsito (alô Floripa!) seja pela distância (alô Rio!) nos permite cultivar hábitos do que quer que queiramos ver melhorar. Mas novamente, tem que ter o amarguinho da disciplina, se não novamente esse tempo livre se perde facilmente em redes sociais ou qualquer outras das distrações modernas. Alie o seu tempo livre, com disciplina & seus objetivos pessoais

  1. A atenção aos seus

Aqui em casa somos dois. Tudo o que meu trabalho tem de flexível o do meu marido tem de engessado. Em dias normais ele sai as 8:00 AM e volta as 11:00 PM – emendando um trabalho em uma hierarquia pública com uma segunda faculdade. Na dinâmica familiar, meus horários flexíveis me permitem estar mais disponível aos meus. Consigo atender a família que mora longe, viajar no meio da semana, e cumprir as outras milhões de coisas que uma dinâmica de uma casa exige e normalmente não cumpre o horário comercial. Quando um dos pilares da família tem essa flexibilidade, acredito que a dinâmica como um todo funciona de forma mais leve

  1. Ressignificar o valor da Casa.

A casa, como expressão pessoal, sempre teve um papel importante na formação da personalidade. Não é à toa que todo Rei precisava de um suntuoso castelo. Em tempos acelerados e um pouco descartáveis, a narrativa do  desprendimento do poder estar ‘em qualquer lugar’ e ‘mudar de casa muitas vezes na vida’, passou a ser charmosa. É sexy ser sem amarras, e isso vende. SIM acredito que isso vai acontecer, numa escala muito maior do que aconteceu com nossos pais, o mudarmos de casa, mas reitero que o sentimento DE CASA não necessariamente tem a ver com propriedade e mais com segurança. Só a segurança nos permite o relaxamento, o desconectar e a liberdade pessoal. A casa vai deixar de ser um lugar para onde “eu só vou para dormir” para se tornar “meu infinito particular” é lá que eu durmo, acordo, trabalho, recebo os meus e expresso minha individualidade. E o reconstruir essa conexão com a casa é o que pode diminuir um pouco a ansiedade dessa nossa sociedade super informada e conectada. LOG OFF.

É isso, queridos. Fiquem em casa, respeitem a quarentena e aproveitem esse tempo para análise da dinâmica pessoal & familiar. Em breve voltamos a programação normal.

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