Meu Metro Quadrado

Viver Luxuosamente

4 de maio de 2020


Já faz algum tempo que queria escrever esse texto mas confesso que relutava um pouco pois, acho que assim como uma pá de palavrinhas cansadas, o luxo vem sendo mal usado e interpretado. Quase tudo é luxuoso, e quando quase tudo é, nada de fato é.

O luxo verdadeiro é. Ele não precisa se anunciar como tal. É mais ou menos como ser educado (ou poderoso) – se você precisa dizer que é, você não é.

Começo contextualizando ele bem rapidinho, sobre a ótica do consumo e por fim vou surpreender vocês com o que será o LUXO nos próximos anos.

O luxo sempre esteve ligado à tradição, acesso e escassez. No tempos atuais houve ainda uma hibridização do luxo com a tecnologia. Peguem marcas famosas que são sinônimo de luxo e olhem há quanto tempo eles estão fazendo champagne, lenços, bolsas, casacos, relógios…

Quem gosta um pouquinho de história e já teve oportunidade de visitar alguns palácios ou casarões antigos, nota  seguramente que hoje vivemos melhor do que qualquer Rei da Idade Média ou Renascimento. Contextualizando no tempo, com a evolução dos meios de produção e o aumento da tecnologia, houve uma sensível diminuição do custo de produção de tudo e o maior acesso de todos a tudo, é o que mantinha/mantém a máquina do capitalismo funcionando. E o luxo, nesse contexto todo, obedeceu a mesma regra. Houve uma democratização dos bens de luxo.

Ele ainda manteve a aura de distanciamento, mas passou a ser consumido a um número muito maior de pessoas. Some-se aí um pano de fundo da sociedade do “eu mereço”. E pense, se pode ser parcelado, isso significa acesso.

Essa democratização do luxo provocou uma desorientação entre a evolução da bagagem humanística (educação formal, cultura, leitura, modos) versus a “cultura material” dos indivíduos (o que eu tenho, as marcas que ostento, os locais que frequento). Uma vez que ganhar dinheiro pode acontecer bem mais rápido do que a construção dessa bagagem humanística. E essa desorientação, esse mal estar, aquele luxo que ofende é o que normalmente chamamos de “mal gosto” e aí as críticas aparecem.

O gosto justo, ou o BOM GOSTO OBJETIVO, e aqui vou ler na íntegra uma das definições que julgo mais interessantes “é aquele gosto, sempre diferente, que no entanto, permite a cada um a estar em equilíbrio consigo mesmo com sua própria origem e cultura, sem prescindir a própria renda de modo a aparecer sempre em sintonia com o contexto e nunca em distonia com o ambiente que vive.”  BINGO!

Cheguei ao ponto que eu queria.

Aqui começamos a entender que, vivendo quase um esgotamento do consumo e logo tirando a variável da escassez que prescinde o conceito de luxo, O LUXO hoje, e cada vez mais, se aproxima de características mais subjetivas e se marca da absoluta prevalência de elementos de prestação de serviço & imateriais como: o tempo, a atenção, o espaço, o silêncio, o ambiente e a segurança.

E vocês conseguem entender o porquê da valorização desses conceitos que sub julgamos tão acessíveis, mas na verdade estão cada vez menos?

Pense num alto executivo, que ganha na casa dos bons milhares, vive uma vida corrida, ocupada, cheia de telas, muitos demandam dele. Quanto custa o silêncio para essa pessoa? Total e absoluto. Quanto custa o tempo de aproveitar? O tempo de usufruir o que produz.

E a atenção? Se vocês estão comigo até o final, já ganhei muito. Quando vale a atenção das pessoas uma vez que temos 9 segundos para impressionar?

Acho que vocês captaram as idéias, mas pensem no CONCEITO DE MORAR

Localização já é um item vencido, falar sobre ele seria redundante. Tradição pode ser entendido no nosso contexto como localização.

O conceito de luxo hoje se aproxima muito mais do verdadeiro.

Minha provocação hoje é um desafio: quem quiser se posicionar a nesse mercado vai ter que entregar e comunicar esses elementos imateriais. E vai fazer mais lindamente se não usar palavras como “premium, luxuosos, exclusivo, prime” ou qualquer uma das suas variações.

Esqueçam o anúncio de elementos materiais – porcelanato X, portaria Y, acabamentos Z. A próxima etapa do luxo é o servir, o imaterial e aí um adiciono um conceito meu: a confiança.

Mas esse é assunto para outro post.

Obrigada por nos acompanhar por aqui =)

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Uma resposta para “Viver Luxuosamente”

  1. Luciana disse:

    Texto ma ra vi lho so!!!

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